Terceirona

“Terceirona”: Delírios

Este texto é uma resposta ao artigo “Mídia versus Sonic e SEGA. Desprestígio versus Realidade” escrito por Victor Miller no site Planeta Sonic.

Olha nóis aqui trá veiz! Começando 2015 e mais um artigo do Casper rebatendo coisas absurdas que reverberam nesta comunidade de Sonic no Brasil. É tanto chorume que apareceu neste começo de 2015, que eu decidi simplesmente ignorar tudo para conseguir ter um descanso merecido, mas agora que retornamos a rotina, vamos lá.

E vamos começar o ano lendo esta pérola, sim meus amigos, este texto é uma pérola. A Planeta Sonic e seu webmaster se superaram. É algo tão absurdo, que deu vontade de chorar. Sério, chorar de rir.

O texto, justiça seja feita, foi bem escrito.

Mas a quantidade de merda dita pelo “jornalista” Victor Miller é algo que merecia um prêmio Ignóbil.

O texto longo, chato, cheio de teorias jornalística para chegar a conclusão que a franquia Sonic, principalmente a sua fase moderna é a melhor coisa que já foi produzida, mas como a SEGA não tem mais prestígio no meio jornalístico, a mesma vem sendo malhada há mais de 15 anos na imprensa malvada e preconceituosa, que vem destilando veneno desde então e vem contaminando o público com inverdades e verdades distorcidas.

Isto é o problema de apegar-se a teorias que são ensinadas na faculdade, veja bem, eu não sou jornalista, minha formação acadêmica é outra, sou um cientista da computação, mas consigo ver que esta conclusão é completamente absurda e sem nenhum fundamento na realidade atual.

Distorções da verdade e a mídia malvada

Que o jornalismo em geral é algo pouco confiável e não é lá grandes coisas, isto qualquer um com um pouco de juízo na cachola já está careca de saber. Quantas vezes eu li coisas absurdas nos grandes jornais e revistas ou mesmo vi ou ouvi na TV ou no rádio, tentativas torpes de manipular opiniões e mentes alheias.

Mas algo que está ocorrendo e muitos dos jornalistas não conseguem perceber, é que esta mídia outrora forte, influenciadora e manipuladora com poderes sobrenaturais está morrendo. E morrendo rápido.

Grandes jornais estrangeiros, como o The Guardian por exemplo já não possuem mais versões impressas, muitas revistas e periódicos ou foram extintos ou não tem mais suas versões físicas, em todo mundo, jornalistas, diagramadores, designers e até contínuos estão perdendo seus empregos, as redações estão cada vez menores, cada vez mais vazias. Os telejornais sofrem para alcançar o mínimo de audiência e muitas vezes os mesmos são mesclados com entretenimento em geral e o rádio então, nem se fala.

A internet acabou com esta hegemonia, os grandes jornais e até mesmo a mídia especializada online (no caso de games) já não são mais os núcleos produtores de opinião e conteúdo. Hoje, todo mundo consome e produz opinião, debate e conteúdo na rede.

O que nosso “jornalista” Victor Miller passou em seu texto, poderia ser verdade na década 1970, hoje em dia, não tem mais nenhum cabimento.

Um jogo qualquer é lançado, além da grande mídia de games escrever seus reviews e suas notas, o jogo passa por um julgamento literalmente feito por milhares de gamers de todos os tipos, idades, estilos e nacionalidades, e estas pessoas são hoje um dos núcleos de disseminação de opinião, e é simplesmente impossível todos eles conseguirem uma unanimidade.

Além disso, nas redes sociais, algumas feitas para gamers (o Alvanista é um exemplo) você pode deixar suas críticas, elogios e escrever o seu próprio review para que milhões de pessoas possam ler se procurar pelo jogo dentro da rede. E nas redes sociais acontece o mesmo; As mídias sociais são o outro núcleo de produção de opinião e conteúdo.

A grande mídia hoje é apenas mais um núcleo de produção de opinião, e um núcleo de produção extremamente fraco. Antigamente era algo de mão única, hoje, qualquer um que produz algo, tem de volta a resposta. Seja uma resposta em seu próprio meio, seja através de comentários. Não existe apenas um lado de determinado assunto, hoje, qualquer questão tem inúmeros lados.

A internet possibilitou a renascença da filosofia, mesmo que por vias tortas, antes da grande mídia e seus “jornalistas geniais” como o Victor Miller, qualquer coisa era debatida entre as famílias no jantar, ou nas mesas de bar, ou nos campos de batalha. No século XX isto morreu graças aos jornalistas, que pasteurizava informações e as manipulava. Hoje, existe concordância e discordância em tudo, há debates em tudo, há criticas em tudo, e o que vejo e sinto é que os jornalistas e o jornalismo como mídia não está conseguindo se adaptar a estes novos tempos.

E a prova cabal do que escrevi é a própria Planeta Sonic e seu “genial” e “brilhante” dono, afinal de contas, se todo mundo está contra os jogos modernos do Sonic, temos o site do dito cujo defendendo o contrário e iluminando as cabeças alheias com algo que foi lhe negado, não é?

Antes da Planeta Sonic, as pessoas diziam por ai que o Sonic moderno era ruim não porque o personagem foi descaracterizado, pois o Sonic não era mais apenas um ouriço que corre e salva o dia, ele agora virava lobisomem, precisa de todos seus amigos para salvar o dia, coisa que antes ele fazia sozinho com as duas mãos nas costas; Não porque ele deixou de salvar seus amigos animais para salvar princesas e lutar com o rei Arthur ou com criaturinhas coloridas; Não porque os games foram mal planejados e mal construídos com inúmeros bugs, com péssima jogabilidade, tramas arrastadas e sem sentido apenas para restabelecer os cofres da SEGA e desenvolvedores inconsoláveis e envergonhados pedindo demissão;

Não foi estes motivos (ou bombas como o “genial” Victor Miller) que acabou com o prestígio franquia Sonic, foi a terrível distorção da verdade feita por jornalistas superpoderosos em um complô intergalático que já dura 15 anos apenas para provar para humanidade que os jornalistas do mundo gamer são mais poderosos que o Superman e o Wolverine juntos.

Tenha santa paciência.

A questão do desprestigio

Não existe “desprestigio” fabricado contra a SEGA, pelo contrário, foi a própria empresa que vem se desmoralizando através dos anos. É fato que a velha guarda de fãs do Sonic, da qual faço parte e somos ainda maioria, não gostamos dos novos games da franquia e temos bons motivos para isto. E a grande e “malvada” mídia também tem bons motivos para descer a lenha, já que com poucas exceções, cada lançamento de um Sonic é um desastre maior que o anterior. Estamos vivendo isto neste momento com Sonic Boom, que só não virou uma piada total porque a Ubisoft conseguiu distrair as pessoas com os problemas do AC Unity. Não enxergar isso, mesmo que você goste do jogo, é querer enganar a si mesmo e pior, enganar outras milhares de pessoas.

Veja, se você gosta dos games da fase “moderna” do Sonic (de 2003 até agora), é possível defender os mesmos com outros argumentos, não há necessidade nenhuma de criar um vilão externo para justificar a rejeição que o mercado de games tem com o Sonic moderno. O que não vale, é tentar criar uma ilusão, um conjunto de delírios e tentar convencer as pessoas que o está errado é o nosso bom senso, e que estes games são maravilhosos e que tenho que ficar quieto porque se eu acho eles ruins, é porque eu fui alienado pela mídia, ou porque eu sou velho demais e outros argumentos vazios que sempre nos são apresentados neste tipo de discussão.

A SEGA foi nas décadas de 1980/1990 um dos grandes nomes da tecnologia, na década de 2000 para não falir ela teve que diminuir drasticamente de tamanho, mas não foi porque ela diminuiu de tamanho que o prestígio foi perdido, foi as decisões erradas (ou em português claro: cagadas e burradas) tomadas por duas décadas que fez a mesma diminuir de tamanho e por consequência, perder o prestígio. O mesmo aconteceu com a Atari, que por orgulho não conseguiu driblar os problemas e infelizmente não sobreviveu até os dias de hoje. A Apple é um caso semelhante, a mesma quase faliu na década de 1990 e por consequência perdeu seu prestígio ante ao mercado e ao público pois fez estratégias erradas e somando com um monte de cagadas realizadas na década anterior, a mesma chegou ao fundo do poço. Mas a Apple conseguiu reverter a situação e hoje tem o seu prestígio de volta, e com muito mais força do que antes.

Se algum milagre acontecer na SEGA e os próximos dois ou três lançamentos bem-sucedidos de Sonic acontecerem, o prestígio volta, e nem precisa da grande mídia ou comprar caixas de bombons da Nestlê para isto acontecer 😉

Casa de ferreiro, espeto de pau!

E para terminar, é um tanto irônico e hipócrita ver a Planeta Sonic criticar “a grande mídia” quando ela faz igual ou mesmo pior que “os malditos algozes da franquia Sonic”.

O Planeta Sonic vive basicamente de rumores infundados que chamam a atenção (e audiência) e depois se provam verdadeiras farsas. O caso do Cartoon Network onde os mesmos falsificaram imagens e criaram fontes do nada e a mais recente de um Sonic Adventure 3, já deixa bem claro o posicionamento ético (tenho a teoria que o Victor Miller vivia faltando nas aulas de ética durante a faculdade) e o “brilhante” jornalismo deste site. Viver de mentiras é uma das coisas mais repugnante que existe. Meu singelo site não tem lá grande audiência, mas prefiro ver ele sem público, porém replicando a verdade e pontos de vistas sinceros e embasados, do que ficar enganando uma massa desinformada com textos pomposos criticando teorias e pessoas, mas no final, toma as mesmas atitudes e faz as mesmas coisas que criticaram com tanta veemência.

Para concluir, existe um paragrafo no texto do Victor Miller que é extraordinariamente irônico:

“Por isso que é perigoso acreditar no que você lê, pois você acaba sendo influenciado por um canal que já foi influenciado a escrever aquilo por um outro canal, sendo que todos escrevem textos visando ter audiência.”

Quem não te viu, que tem compra, não é mesmo?

PS: Uso muitas vezes no texto o termo jornalista com aspas, pois o Sr. Victor Miller não comporta-se como um jornalista sério, onde espera-se o mínimo de isenção e bom senso. Não só este texto mas toda a “linha editorial” (se podemos chamar assim por falta de termo melhor) do Planeta Sonic é extremamente passional, o que é esperado em qualquer fã mas não num profissional formado.

PS2: Não entrei no mérito Sonic Moderno vs. Sonic Clássico porque os problemas do artigo do Miller não são estes, e sim as premissas e seus desenrolar, esta questão de games modernos e clássico é discutível em uma outra esfera. Quem sabe não rola um outro artigo só sobre esta questão?

PS3: Prestígio é legal e tal, mas eu prefiro It Coco 😀

Disclaimer: A opinião e as convicções e repostas contidas neste artigo não expressam e não refletem a opinião dos webmasters da Sonic Evollution e sim as opiniões do seu autor.

Texto original da SonicEvollution.com

Comente este artigo no fórum Sonic Network