Terceirinha

Terceirinha: Porque as pessoas não aceitam os fãs dos jogos de plataforma? Porque não me deixam em paz e preso na década de 1990?

Na verdade este texto seria publicado no meu tumblr mas como as notícias de Sonic estão escassas decidi adaptá-lo e colocá-lo aqui na S.E. porque o alcance será maior, apesar de não me referir a Sonic especificamente.

Este artigo é um desabafo e talvez um objeto de reflexão para todos vocês!

Algo me incomoda muito na atualidade e para ser sincero eu ando bastante desiludido com games por causa disso. Desde o fim do Sem Sinal ando numa “deprê” quando o assunto é games e por causa de algumas circunstâncias eu tive que colocar o meu perfil no Steam em modo privado.

As pessoas não aceitam uma limitação minha: Eu não consigo me adaptar aos jogos modernos.

Existe dois motivos por trás disso: O primeiro é uma questão de costume, o controle do Xbox 360 e do PS2/PS3 são confusos para mim, eu passei a minha infância inteira jogando consoles da SEGA (Master System, Mega Drive e Sega Saturn) e o controle com triângulos, bolinhas, quadrados, “R2D2”, Analógicos e etc me deixam maluco.

A jogabilidade de alguns jogos é torturante para mim, os controles modernos têm 8 botões, 4 de faces e 4 gatilhos e mesmo assim não é suficiente em alguns games, onde existe meia dúzia de combos. Sempre fui lento e não tenho reflexos bons, e isso acaba com toda diversão.

Estava tentando jogar Halo 4 e Gears of War 2 no Xbox 360 do UltraShadow e vi o quanto eu sou ruim com a jogabilidade moderna e olha que eu já sofria bastante no controle de PS2.

E o segundo motivo é que eu não consigo me divertir com a maioria dos triple AAA da atualidade, acho alguns games asquerosos.

Eu tive uma educação bem mais rígida que o UltraShadow, talvez porque quando eu era criança meu pai morava em casa e minha mãe pegava mais no meu pé. Quando o assunto era games meus pais não deixavam eu jogar jogos violentos e quando era filmes, apesar de deixar eu assistir os mesmos sempre conversavam bastante explicando porque a violência era errada. A catequese aos 15 anos de idade não me ajudou em nada e parece que eu fiquei careta demais para a geração atual, mesmo tendo apenas 30 anos de idade.

Não consigo me divertir com nenhum FPS atual, odeio games de guerra como Battlefield e CoD e similares, acho errado enaltecer guerras e massacres, e mesmo quando é alienígenas ou zumbis os alvos eu também não me sinto à vontade.

Aliás, zumbis é um assunto a parte, acho asquerosa esta ideia, é um culto a morte e a destruição que me deixa angustiado, não é algo que me assusta mas a ideia de existir “não-pessoas” é angustiante e eu repudio qualquer coisa com zumbis.

Os games de mundos abertos atuais como GTA também esbarram na minha moral, não porque inexista heróis em GTA mas porque os protagonistas são bandidos. Sair atropelando, matando e assaltando os outros não é algo saudável e me desculpe, se você se diverte com GTA é porque de alguma forma você e um pouco corrupto.

Os RPGs eu sempre achei chato até mesmo o jogo presencial com dados e imaginação a solta e muitos games eletrônicos com esta mecânica resume-se apenas em explorar cenários e batalhar com cartas e números.

Abro exceções a games de corridas e de aventura, que são o que mais me divirto neste mundo 3D, mesmo assim não são muitos games que eu jogo/joguei deste formato. Também não me incomodo com sexualidade em jogos, pelo menos eu não sou um caxias de marca maior.

Porém meu coração está preso na década de 1980/1990, vai ver que é por isso que se eu fosse ter algum console nos dias de hoje eu compraria um WiiU. Este ex-seguista hoje admira a coragem da Nintendo em manter este espírito de tempos anteriores ainda vivo. É por isso que eu defendo a Big N e concordo com as colocações o Miyamoto.

O que me diverte são os velhos games em 2D de plataforma/aventura ou puzzle. Nestes games eu me sinto livre e me divirto pacas. Parece que estou em casa.

Ao rodar emuladores e jogar Sonic, Alex Kidd, Wonder Boy, Mario, Donkey Kong, Castelvania, Crash Bandcoot, Mega Man, Rayman, Pacman, Jazz Jackrabbit e etc meus olhos brilham, e eu fico 4, 5 ou 6 horas direto jogando sem nenhum problema, usando apenas 2 botões de face e o direcional digital.

Muitos indies atuais como Aritana e a Pena da Harpia, Super MeatBoy, Fredom Planet, Rogue Legacy mantém este espírito vivo e são games que me conquistou.

Mas infelizmente as pessoas que me cercam não entendem isso. Tive que fechar para o público o meu perfil no Steam porque alguns amigos de escola e de faculdade me acharam, me adicionaram e não pararam de encher o meu saco.

“Você só joga Pacman? Sonic? Só estes jogos babacas? Joguinhos de criança? Você é altista? Retardado?” era isso que eu recebia dessas pessoas em skypes e facebooks da vida (não deveria ter conectado minha conta Steam ao facebook). E era uma encheção de saco todo dia, toda hora.

Muitas pessoas acham ofensivo você jogar apenas um estilo de jogo, elas querem que você se aventure e gaste dinheiro em games que você não curte. Não vou fazer isso.

Perdi a paciência, mandei um VTNC para este povo e as exclui e coloquei em privado o meu perfil no Steam para que isto não aconteça novamente.

E claro, a fofoca depois correu solta e outros amigos de escola e faculdade veio me perguntar o que estavam acontecendo e porque tomei esta atitude tão radical.

Me chamam de atrasado, de retardado e de idiota. Talvez eu seja tudo isso, mas é direito meu ser o que eu sou.

Não vou comprar GTA, BattleField e CoD e muito menos jogar estes lixos de zumbis só para parecer descolado. Vou gastar o meu dinheiro da maneira que eu quiser. Vou jogar o que eu quiser. Eu sou adulto e tomo as minhas decisões. E se você ficar incomodado, vá embora, não faço questão de ter você como amigo no Steam.

E no meu antigo game commentary (Sem Sinal) a repreensão era igual: quando eu criticava um jogo vinham com trocentas pedras na mão me acusando de não ter terminado o jogo e por isso que eu não curti o mesmo.

Quando gravei em 2012 o Game Commentary de Sonic Heroes aqui na S.E. me acusaram do mesmo argumento: não terminou o jogo então não pode falar … Eu terminei depois o SH e isso só contribuiu para eu odiar ainda mais o game.

Essa pressão para não ser “um atrasado” me deprime, eu dei várias chances aos games modernos e eles não me agradaram, e, com certeza, eu darei mais chances a outros games no futuro e enquanto não me agradar, vou continuar jogando, comprando e me divertindo com os clássicos de plataforma em 2D.

Eu critico os games, e não as pessoas que curtem os games, mas isso parece ser demais para estes imbecis.

Não estou propondo proibir de venderem tudo aquilo que eu não gosto de jogar, pelo contrário, eu prego para que as pessoas joguem aquilo que curtem e que tenham liberdade de criticar aquilo que não curtem. Se você gostas dos games atuais, fique à vontade para jogar. Se não gosta dos games clássico pode criticá-los, vou ouvir a critica e provavelmente não concordarei mas não vou me ofender e nem encher o seu saco no Steam.

Só quero respeito, paz e sossego. É lamentável ter que deixar o meu perfil privado pois, com certeza, isso afasta muitas pessoas que gostariam de ver o que estou jogando e até mesmo interagir, mas nos dias de hoje se você gosta de algo que não é mainstream, caem de pau em cima de você.

Por isso eu imploro e faço um apelo: Me deixem em paz preso na década de 1990! Me deixem curtir e defender os games de plataformas clássicos! Eu não quero evoluir, estou bem onde estou! Parem de encher o meu saco! GTA, CoD, Battlefield, Minecraft, jogos de zumbi e Sonic Moderno: VPPQP!!! #QuantaBaixaria

PS: Estou sendo prolixo de propósito: Este artigo é apenas um desabafo, não é nenhuma indireta para alguém da comunidade Sonic. Provavelmente as pessoas que cito indiretamente neste artigo nunca lerá o mesmo 🙁

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Texto original da SonicEvollution.com

Disclaimer: A opinião e as convicções e repostas contidas neste artigo não expressam e não refletem a opinião dos webmasters da Sonic Evollution e sim as opiniões do seu autor.

Sobre o colunista

CasperEdson Rodrigues, 30 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha, que usa a alcunha de Casper, por ser um branquelo que não vai a praia, é o webmaster do site NCDF e conselheiro/newswriter da S.E.

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Sobre o autor

Casper

Edson A. Rodrigues, 32 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha que usa a alcunha de Casper por ser um branquelo que não vai à praia. É o webmaster do site Na Casa do Fantasma e dono do canal homônimo no Youtube e colunista/conselheiro/newswriter da S.E. :)