Terceirinha

Terceirinha: Non sequitur, proselitismo e sectarismo nas reações e a acusação que somos “anti-SEGA”: Ou o Show do blá blá blá!

A coluna Terceirona e Terceirinha da Sonic Evollution está ganhando o mundo, e claro que se a mesma já era atacada quando éramos desconhecidos agora que nossos artigos estão mais populares a reação contra está cada vez maior. E o pior, as reações estão cada vez mais falaciosa, mais ilógicas, mais proselitistas e mais sectárias do que nunca.

A Terceirinha de hoje é uma reação da reação. Sim, graças aos parceiros e afiliados da Sonic Evollution, a página World Sonic e o grupo EAJS do Facebook a coluna ganhou um grande número de leitores e os dados e argumentos que fiz nos artigos estão ganhando muito espaço na comunidade e deixando os mais adeptos das ideias do Victor Miller e da Planeta Sonic muito incomodados.

É exatamente onde eu queria chegar, deixar estas pessoas incomodadas, com a pulga atrás da orelha e totalmente desorientadas. Os mais fanáticos estão partindo para o Ad-Hominem e o discurso que sobrou a eles foi acusar a Sonic Evollution de ser um site “anti-SEGA”.

A acusação é simples: Eu aponto os problemas da SEGA, então eu faço criticas a estes problemas, logo eu sou um anti-SEGA e não apoio a empresa e quero vê-la destruída.

Se você tem um pouco de inteligência percebeu que a afirmação acima é totalmente ilógica, e eu vou explicar o porque neste artigo.

Non sequitur ou o que alhos tem a ver com bugalhos.

Quando você conclui algo que não tem relação nenhuma com a discussão ou com a realidade você está cometendo a falácia do Non sequitur, que é quando as premissas e as conclusões não batem e não fazem sentido nenhum.

Assim como o ad hominem, o non sequitur é horrível nas discussões e infelizmente na internet ele é comum, já que na cabeça da maioria das pessoas existe um pensamento binário e estreito.

Eu sou um grosseirão, não me considero intelectual mas entendo o básico de oratória e lógica, coisa que esta criançada não conhece. Logo percebe-se que seus interlocutores não entendem muito de lógica quando soltam estas pérolas.

Leiam abaixo estas duas respostas recentes:

Imagem 1

Imagem 1 (alta resolução) – Agora sou eu que estou forjando noticia … era só o que faltava 😛

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Imagem 2 (alta resolução) – Outro discurso vazio!

Uma das coisas que me deixam incomodados, principalmente pelo comentário desta página “World Sonic TM” (não confundir com a World Sonic, são páginas diferentes) é que este pessoal além de falacioso é maledicente, ficam na fofoquinha e nas indiretas, quando claramente é uma resposta a notícia que coloquei aqui na SE semana passada. Queria avisar para vocês que isso é feio, não há nada de errado em dar nomes aos bois, eu simplesmente odeio este tipo de comportamento, sejam diretos ou no máximo irônico e isto dará um ponto positivo para vocês.

Os amantes da lixeira não tem argumentos contra meus textos e então cabe a eles a me acusarem de anti-SEGA só porque eu estou expondo os problemas da empresa e criticando a gestão ruim que a mesma está vivendo nos últimos anos.

Por fazer isto estas pessoas acham que não estou apoiando a SEGA e por isso meus argumentos não valem, acham que sou um recalcado por que o Sonic Clássico acabou, acham que eu tenho algum rancor da empresa por não ter continuado a série do Mega Drive.

E essas pessoas concluem isto só porque eu estou expondo a realidade e principalmente porque estou cobrando coerência de seu mentor (quase elevado a categoria de profeta), o Victor Miller.

Para quebrar esta falácia vou fazer um paralelo simples e que todo mundo vai entender, e desta vez vou usar uma história real na qual fui espectador.

Apoio incondicional é destrutivo

Eu tinha um amigo de infância onde os seus pais possuíam uma situação financeira melhor que minha família, ele era mais velho do que eu por 1 ano (nasceu em 1983). Ele frequentou escola particular (que na minha época era um luxo) e quando chegou na fase a adulta os pais dele pagaram faculdade, intercâmbio e até viagem a Disneylândia. Uma vida tranquila e estável, nada poderia dar errado, não é? Sim, algo acabou saindo errado e esta família antes feliz acabou destruída.

Ele levou um pé na bunda de sua noiva (que foi a sua primeira e única namorada) ele ficou deprimido e começou a beber para aliviar o chute que levou, só que os seus pais não deram muita bola para isto, principalmente porque depois dos primeiros meses o ritmo das bebedeiras diminuíram. Então seus pais deram todo apoio e não o admoestaram, eles pediam para nós não falar deste assunto na frente dele e se tecesse qualquer critica a esta postura teríamos grandes barracos.

Então dois anos depois a ex-namorada dele se casa com outro cara e se muda para a Europa, vendo que perdeu seu amor de forma irreversível, voltou a beber e a cair na gandaia. Então a espiral de merda começou: A sua produtividade no trabalho caia junto com sua responsabilidade, até que 6 meses depois através de algumas más amizades ele passou a fumar maconha, mas não largou o vício do álcool.

Depois que ele foi demitido, os pais dele começaram a esboçar alguma reação, ainda que tímida, tinham medo de piorar a depressão e tentaram a mesma estratégia, não criticar, não admoestar e dar carinho. Não funcionou, a depressão aumentou e logo ele estava na cocaína e no crack.

Ele acabou fugindo de casa e virou um zumbi, e ai é aquele roteiro clássico de todos dependentes químicos, ele chegou a vir aqui em casa pedir dinheiro para alimentar o vício, chegou a fazer pequenos assaltos e viver na rua até que contraiu uma dívida impagável com um traficante.

Três meses antes de seu destino final o pai dele decidiu agir e foi procurá-lo e interná-lo em uma clínica, ele o encontrou e só então decidiu brigar e o criticá-lo pelos seus atos, mas infelizmente não conseguiu interná-lo, foi a última vez que a família teve contato com ele. O meu pai o viu nas ruas do centro de São Paulo pela última vez 15 dias antes de ele desaparecer, o mesmo estava tendo alucinações e estava “esfaqueando” um orelhão :\

Com apenas 23 anos em 2006 ele foi encontrado morto em um manguezal na baixada santista, foi morto com 4 tiros a queima roupa, provavelmente pelo traficante por causa da dívida.

Eu vi este roteiro acontecer de forma idêntica com outro amigo de infância, que também acabou morrendo, só que morreu de overdose em 2008.

Entenderam onde eu quero chegar? Os pais deste meu amigo nunca deixaram de amar e apoiá-lo e isto foi a sua ruína.

Amor não significa submissão, qualquer amor sadio e verdadeiro implica em sofrimento e principalmente, em responsabilidade. Para mantê-lo é necessário ver a realidade e quando for preciso advertir, admoestar, criticar e impor-se: Você tem o dever de fazê-lo. Senão fizer isto e continuar passando a mão na cabeça por erros, você incentivará a decadência e a destruição de seu objeto amado.

Gente, isto é lógica 1-0-1, já ouviram falar da frase “quem ama cuida”?

Agora me digam, vocês que estão oferecendo amor e apoio incondicional a SEGA, será que vocês não estão passando a mão e incentivando a própria ruína da empresa?

Será que pode chegar a hora que vocês vão pensar: PQP depois de tanto apoio tudo acabou, poderia ter feito algo diferente para evitar isto?

Poderia, e isto será uma grande fonte de decepção.

Desde que aconteceu esta tragédia com este meu amigo em sua família hoje não existe mais este negócio de apoio incondicional, no primeiro sinal de depressão de alguém esta pessoa leva um belo puxão de orelha e ouve de forma dura criticas de todo mundo, e apesar dos barracos que vira e mexe acontece e da piora inicial da depressão, eles já conseguiram evitar o pior e estas pessoas que passaram por isso procuraram ajuda e se trataram.

Em português claro, o nome disso é “vergonha na cara”.

Ser condescendente de decisões erradas o faz tão culpado quanto a pessoa que os comete, então evitem isto e adotem uma postura firme diante as coisas da vida, apoio incondicional é destrutivo.

Falsas correlações

Agora que vocês entenderam (espero eu) posso destrinchar as falácias imputadas:

1 – A Sonic Evollution é mantida por fãs e quer fazer um trabalho sério, honesto e principalmente, crítico. Sim, os webmasters do site curtem tanto o Sonic clássico quanto o moderno mas abriu voz a uma pessoa que quer elevar o debate trazendo a situação real da SEGA e da franquia Sonic. Esta pessoa sou eu, nem sempre os webmasters da S.E. concordam com minhas opiniões mas acham relevante o trabalho de informação que faço aqui.

2 – Ninguém aqui deixou de apoiar a SEGA, pelo contrário, sendo crítico aos problemas da empresa e da franquia damos um apoio mais relevante, mais eficiente e mais edificante que os “apoiadores incondicionais”. Mesmo que nosso alcance seja pequeno e irrelevante ao tamanho do fandom mundial, não estamos condescendendo com os erros que a SEGA está cometendo, estamos apontando estes problemas justamente para abrir os olhos de outros fãs para fazer uma pressão que pode ajudar a empresa a sanar os problemas atuais. É importante para a SEGA saber que está errando para que ela possa mudar e se ajustar até as coisas entrarem novamente no prumo.

3 – Estas criticas não tem absolutamente nada a ver se somos “fãs de verdade” ou entre Sonic clássico vs. Sonic moderno. São duas discussões totalmente distintas das críticas, ou seja, são três linhas de raciocino paralelas e estas acusações que nos imputam de ser anti-SEGA são non sequitur por causa disso. Todas estas linhas de discussão podem ser desenvolvidas de forma independente e uma não refletirá na outra, são como três carros numa pista de três faixas sendo uma pista de mão única, ambos vão para o mesmo destino mas em vias diferentes. A conclusão destas três linhas de raciocínio diferentes podem convergir para uma ideia em comum porém uma linha não impede a discussão da outra.

Proselitismo e sectarismo nos discursos destes fanáticos

Eu não tenho a menor intenção de criar um exército de idiotas como fez o Victor Miller, o meu discurso não é sectário e muito menos proselitista. Não quero criar uma seita onde tudo o que eu falar vira dogma e que estes crentes passem a tentar converter outras pessoas para nova crença.

Já disse isso no podcast e semana que vem tem um vídeo novo no NCDF onde eu falo justamente sobre isto: os modernistas sabem que em termos de argumentos e fatos não tem como vencer os ditos classistas, e para isto criam todo um discurso cheio de chavões, falácias e bastante sectário e proselitista.

Para estes caras eu sou um classista de marca maior e eu quero que todos vejam o quanto o clássico é melhor, pois para eles só existem duas alternativas, ou você ama a franquia Sonic inteira ou você não é fã, é apenas um classista FDP.

O pensamento binário e histérico que está assolando o Brasil, desde política, passando por religião, sociedade, filosofia até chegar a Sonic implica na regra de dividir as pessoas sempre em dois grupos distintos e aparentemente antagônicos, ou seja, em duas grandes panelas rivais, o nome disso meus amigos é sectarismo.

Uma vez formado os grupos rivais cada um vai tentar catequizar e converter os incautos e novatos para o seu pensamento estreito e a guerra de chavões começa, o nome disso meus amigos é proselitismo!

É o espírito do tempo que vivemos, as discussões são proselitistas e sectárias.

É preciso explicar isto para a criançada e dizer que este caminho além de improdutivo é errado, a realidade tem várias (e algumas vezes infintas) possibilidades.

Um exemplo que este discurso é pura idiotice, eu curto Sonic Adventure e Sonic Generations, para os classistas mais radicais isto é suficiente para me rotularem como modernista. Já para os modernistas radicais eu sou um classista porque este games ou são antigos (SA) ou são homenagem aos games antigos (SG).

Então, eu sou o que? Na realidade eu não sou nenhuma coisa e nem outra, sou apenas um fã que curte vários games e não gosta de outros, se esses outros são mais novos ou mais velhos não faz diferença nenhuma.

E isto ninguém diz, fica esta guerra interminável, este monte de acusações e falácias.

Não estou aqui para te convencer que o Sonic Unleashed que você jogou na sua infância é o demônio que vai destruir Terra de dentro para fora (rsss), eu estou aqui apenas para dizer que este jogo em alcance, qualidade e influência se comparado com outros games mais antigos da franquia ele é mais fraco e que esta época para SEGA foi difícil. Só isto, se você gosta do game continue gostando.

Eu já li muita gente falando mal do Sonic clássico, alguns nem fãs eram, e nem por isso eu deixei de curtir os games.

Se o discurso proselitista e sectário vai fazer efeito depende unicamente de você. Eu defendo que você jogue aquilo que goste independentemente dos gostos e julgamentos alheios. Não estou querendo converter você, eu só escrevo a minha opinião e os dados que a embasam.

É difícil fazer isto hoje em dia porque o que mais temos são pessoas infantilizadas e que não amadureceram ou pior, pessoas desonestas que aproveitam este bando de idiotas para fazer dinheiro.

Espero que tenham me entendido e que usem o que aprenderam neste texto não apenas na comunidade Sonic mas para a vida 🙂

–//–

PS: Falta-me fontes fiáveis para concluir duas Terceironas que comecei a escrever em Maio e já faz tempo que estou prometendo estes textos, mas não os publicarei sem ter a certeza que os mesmos correspondem a realidade, este é o compromisso da coluna Terceirona. Um outro texto que prometi no podcast da S.E. sobre bons argumentos para os modernistas está em pré-produção e não sei se sairá este ano. Mas eu não me esqueci, até lá vão se contentando com as Terceirinhas 🙂

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Texto original da SonicEvollution.com

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Disclaimer: A opinião e as convicções e repostas contidas neste artigo não expressam e não refletem a opinião dos webmasters da Sonic Evollution e sim as opiniões do seu autor.

Sobre o colunista

CasperEdson Rodrigues, 30 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha, que usa a alcunha de Casper, por ser um branquelo que não vai a praia, é o webmaster do site NCDF e conselheiro/newswriter da S.E.

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Sobre o autor

Casper

Edson A. Rodrigues, 32 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha que usa a alcunha de Casper por ser um branquelo que não vai à praia. É o webmaster do site Na Casa do Fantasma e dono do canal homônimo no Youtube e colunista/conselheiro/newswriter da S.E. :)