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Sega Mega Drive vs. Super Nintendo

Há uns quase dois anos atrás, eu escrevi aqui no site uma coluna sobre os consoles que passaram despercebidos pela famosa guerra de 16 Bits.

Dessa vez, o artigo abordará o pivô dessa guerra. O foco central da guerra de 16 bits foram dois dos maiores consoles de videogame já inventados: o Super Nintendo (ou Super Famicom) e o Sega Mega Drive (ou Sega Genesis).

Hoje a competição no mercado de games está entre três fortes competidores: O PS4 da Sony, o Xbox One da Microsoft e o Nintendo Wii U. Mas essa treta de hoje não chega nem perto do quão épica foi a briga entre Sega e Nintendo pra provar quem era superior.

Antes de começar, é importante dizer que é uma competição acirradíssima. Ambos os consoles são ótimos, com excelentes bibliotecas de games, então fica difícil dizer qual dos dois é melhor sem levar a opinião pessoal em conta.

Por isso, é óbvio que esse artigo terá a minha opinião e o meu ponto de vista no assunto.

Muita gente escolhe um dos dois pela questão nostálgica. Fica até mais fácil não? “Ah, aquele console fez a minha infância, então escolho ele!”. E realmente, maioria das pessoas tinham ou o SNES ou o Mega em casa. O problema no meu caso é: Eu tive ambos os consoles! Aí a questão nostálgica vai para o espaço!

Devido a isso, irei categorizar essa disputa, dizendo em cada uma, qual dos dois consoles mais se destacou. Vamos lá!

Começarei listando as especificações técnicas de cada um:

Mega Drive

 


GPU

* 512 cores disponíveis 64 cores simultaneas (4 paletas de 16 cores cada)
Ram de video 64 Kbytes
Resolução de 320 x 224 pixels
64 sprites simultâneos
2 layers scrolls

CPU

* Processador Motorola MC68000
Frequência de clock: 7,68 MHz
Barramento: 16 bits

Áudio

*Yamaha YM2612
6 canais de áudio
* Áudio: estéreo, sendo 6 FM, 1 PCM
Memória RAM para som: 8 Kbytes
* Memória RAM principal de 64 Kbytes SRAM

Super Nintendo

GPU

* Processador Ricoh 5C77-01 S-PPU2
Frequência de clock: 2,56 MHz 16 bits
Memória de vídeo (Video RAM): 64 KB
Resolução: 512 pixels x 448 pixels; 256 x 224
Paleta de cores: 32768 (15-bit)
Número máximo de cores na tela: 256
Tamanho máximo dos sprites: 128 x 128 pixels
Número máximo de sprites na tela: 128 sprites
O SNES Trabalhava com duas PPUs Mode 7

CPU

* WDC CMD/GTE 65C816
Frequência de clock: 3,58 MHz
Barramento: 16 bits

Áudio

* Sony SPC700
8 canais de áudio
8-Bit para controlar a DSP – clock 1.024MHz
Memória de som (Audio RAM): 0.5 Megabit (64 KB)
PCM (Pulse Code Modulator): 16-Bit
Som estéreo digital
Frequência de Amostragem: 32000
* Memória (RAM) Cache para o processador principal: 1 Megabit (128 KB)

 


Bom, mesmo para quem não manja dos termos técnicos, não é difícil notar que o Super Nintendo tem aspectos bem superiores em praticamente todos dos aspectos. O que já é esperado, visto que o Super NES era um console quase 3 anos mais novo.

Porém, o time de marketing da Sega foi genial ao pegar o único critério em que o Mega Drive era melhor: velocidade de processamento (7,68 MHz do Mega contra 3,58 MHz do SNES) e transformar isso em sua melhor arma. As famosas campanhas publicitárias agressivas da Sega “Genesis does what Nintendon’t” e “Blast Processing” foram além de engraçadas, extremamente eficazes: venderam milhares de Mega Drives. São tão famosas que são muito comentadas até hoje!

Apesar de na época ter sido bem eficaz, sejamos sinceros: A Sega sacaneou nesses comerciais. Sim, a velocidade de processamento do Mega era realmente impressionante para a época, mas isso não era tão importante nos games. Jogos que foram lançados em ambas as plataformas não apresentaram diferença significativa em velocidade. Na prática não fazia muita diferença. Mas essa é a alma do Marketing não? Exaltar o seu produto e por vezes, por que não, fazer o concorrente parecer uma merda. Veja o comercial do Blast Processing (linkado acima) para entender melhor.

Antes de começar de fato a listagem, um pequeno adendo: Eu estou levando as especificações técnicas do Mega Drive original, sem as frescuras de add-ons como o Sega CD e o Sega 32X, ok? Essa disputa é do Mega Drive vs SNES, não Sega Mega CD 32X vs SNES!

Vamos começar as categorias que eu selecionei:

Controle

O controle é parte importante de um console. O controle do Mega era simples pra época e funcionava bem pra imensa maioria dos games. Porém, após o boom dos games de luta com Street Fighter II, ficou difícil para o controle de 3 botões se manter por muito tempo (só quem jogou Mortal Kombat no Mega sabe o quão chato era defender com o Start!).

O controle do SNES, por outro lado, era perfeito não só pra games de luta, mas pra qualquer outro tipo de game. 8 botões, com dois “gatilhos” L e R se tornou praticamente o padrão no mundo dos games por causa do genial design do controle do SNES.

Claro, a Sega depois igualou as coisas com o controle de 6 botões do Mega (que inclusive acompanhava vários Mega Drives aqui no Brasil). Mas, tentando ser justo, estou analisando o controle original do console, e por isso, no quesito controle, o Super NES leva a vantagem. Até por que, eu sempre preferi os botões L e R do que X, Y e Z que o Mega tinha.

Super NES 1 x 0 Mega Drive

Design do console

Essa é bem opinião mesmo, por se tratar de uma questão estética. Eu sempre achei o design do Mega Drive original e qualquer outra versão do Mega (inclusive as versões da TecToy) mais bonitos que essa caixa quadrada cinza que foi o SNES. Gostava inclusive que o Mega tinha 16-BIT escrito bem na fuça, só para esfregar na cara do seu antigo concorrente, o NES (que era só 8-bits)!

As versões européia e japonesa do SNES eram bem bonitas, muito mais que a versão que tivemos aqui nas américas. Mas, para ser justo, estamos falando da versão que tivemos por aqui, então, nessa o Mega Drive facilmente leva um ponto.

Super NES 1 x 1 Mega Drive

Caixas e cartuchos

Essa é mais para os colecionadores. Os cartuchos de ambos os consoles eram logicamente apropriados para o seu devido console. Mas para quem ainda tem os seus cartuchos e gosta de colocá-los em prateleiras, os cartuchos do SNES eram um pouco mais largos e mais altos que os do Mega, tornando os do Mega mais fáceis de guardar no geral.

Mas o critério principal de decisão minha nessa categoria foram as caixas que os cartuchos vinham. Os de SNES vinham em pequenas caixas de papelão, bonitas e com boas artes do game em questão, porém elas amassavam facilmente e por isso dificilmente as pessoas guardavam (eu tinha muito menos caixas do que cartuchos, o que significava que muitas das caixas iam para o lixo!).

O Mega por outro lado, vinha com cases de plástico que eram ótimos tanto para quem coleciona quanto para quem apenas os guarda em prateleiras ou gavetas. Aliás, isso se tornou o padrão no mercado e é usado até hoje.

Quem coleciona sabe que é muito mais fácil achar um game de Mega completo na caixa do que um de SNES, justamente pelo mencionado acima. Ponto para o Mega!

Super NES 1 x 2 Mega Drive

Áudio

Agora chega de detalhes superficiais e vamos a um critério um pouco mais objetivo: O som!

Deveria ser fácil essa. O SNES possuía uma placa de som superior, então não tem segredo. A placa de som do Mega tinha um som mais “robótico”, porém isso surpreendentemente soava muito bem em certos jogos.

Por isso, é difícil de pontuar essa sem levar em consideração alguns games. Earthworm Jim, um clássico lançado para ambos os consoles, soava muito melhor no Mega por exemplo. Porém tem jogos onde a diferença de som era gritante, como era o caso do DOOM, que tinha uma trilha sonora fantástica no SNES e que o Mega só foi ganhar no 32X, e que ainda soava muito ruim, mesmo assim!

Rock N Roll Racing, um dos meus jogos prediletos na época, soava muito melhor no SNES também, mesmo eu curtindo bastante o som robótico do Mega.

Claro que, em um comparativo, depende muito do game selecionado. Ambos os consoles possuem games com excelentes trilhas sonoras. Os games do Sonic, Comix Zone e os da série Streets of Rage para o Mega são ótimos exemplos.

No entanto, o SNES, para infelicidade da Sega, tinha uma das mais vastas coleções de games premiados pela trilha sonora. Donkey Kong Country, Super Metroid, Chrono Trigger, Super Mario RPG, entre tantos e muitos outros. Foi no Super Nintendo que as trilhas sonoras de games realmente começaram a soar como as músicas que se ouvia em discos e na rádio, ou seja, músicas que não eram apenas “músicas de video game”, algumas inclusive onde orquestras trabalharam. Por isso, meu voto vai para o SNES nessa.

Super NES 2 x 2 Mega Drive

Gráficos

Outra categoria bem disputada, pois ambos os consoles não decepcionavam nessa área.

Novamente, também depende muito do game analisado. Mortal Kombat tinha um background melhor definido no SNES. The Lion King também. Em Sunset Riders, a versão SNES tinha mais profundidade nos cenários. Mas admito que são diferenças pequenas e a maioria dos games eram quase virtualmente idênticos.

O SNES, porém, tinha uma carta trunfo: o chip gráfico Mode 7! Esse era o chip que permitia alguns efeitos tridimensionais que alguns games do Super NES usavam, os mais notáveis sendo F-Zero, Super Mario Kart, Demon’s Crest e os Final Fantasy’s da vida.

Decisão difícil, pois também acho os gráficos do Mega bonitos, mas para mim, é mais um pro SNES.

Super NES 3 x 2 Mega Drive

Biblioteca de Games

Finalmente, o mais importante: as opções de games disponíveis para cada um. É aqui que falo do talvez mais importante critério de seleção em um console: os exclusivos! Ou seja, o que torna uma biblioteca de games diferente da outra.

Esse é, sem dúvida, o critério mais difícil de analisar, ainda mais se considerar que eu não levei nostalgia a sério nessa análise. Os dois consoles tem uma ótima gama de exclusivos e eu com certeza vou estar sendo injusto ao escolher um ao invés do outro.

Vou fazer uma pequena seleção de games que considero os melhores de cada um. A começar pelo Genesis:

– Todos dos games da série Sonic (óbvio) e sim, inclusive o Spinball

– Gunstar Heroes

– Comix Zone

– Trilogia Golden Axe

– Trilogia Streets of Rage

– Alien Storm

– Ristar

– Phantasy Star II, III e IV

– Vectorman

– Super Hang On

– Castle of Illusion Starring Mickey Mouse

– Altered Beast

– Gain Ground

– Alex Kidd in the Enchanted Castle

– Shinobi III

– Out Run

– Castlevania Bloodlines

– Toe Jam & Earl

– Kid Chameleon

Agora, é a vez do SNES:

– Super Mario World

– The Legend Of Zelda A Link to the Past

– Super Metroid

– Super Mario Kart

– Trilogia Donkey Kong Country

– Super Mario World 2: Yoshi’s Island

– Chrono Trigger

– Secret of Mana

– Final Fantasy IV, V e VI

– Trilogia Mega Man X

– Final Fight 2 e 3

– TMNT IV Turtles in Time

– F-Zero

– Demon’s Crest

– Super Castlevania IV

– Todos os games do Kirby

– Secret of Evermore

– Star Fox

– Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars

– Run Saber

Entre muitos outros mais.

E sim, eu sei que ficou faltando muitos outros clássicos em ambas as seleções.

O problema na biblioteca do Mega Drive é que a Sega não tinha o mesmo apoio de outras empresas como a Nintendo tinha. Pode perceber que a maioria dos títulos citados na listagem do Mega foram feitos pela própria SEGA. A Sega basicamente tinha que “se virar” na época.

A biblioteca de ambos os consoles era bem variada e o veredito é diferente para cada tipo de gamer. Depende da sua preferência em games.

O Mega teve uma biblioteca de jogos de esporte imensa, mas eu duvido que alguém compre um Mega só para jogar Fifa Soccer ’95, até porque jogos de esporte eram comuns em todos os consoles e o SNES não ficava devendo muito nesse departamento.

Meu estilo de preferência, como dá pra ver pela minha seleção, são games de aventura/plataforma e RPG. Em RPG o Super NES imperava sem dúvida. Antes do Playstation 1 chegar e dominar o universo dos RPGs, o SNES já tinha uma riquíssima biblioteca de RPGs, graças ao apoio que a Nintendo teve por muitos anos da Square e da Enix (que hoje são uma empresa só). Só por ter clássicos como Final Fantasy IV e o mitológico Chrono Trigger, o SNES já tem uma imensa vantagem do meu ponto de vista. O Mega Drive tinha a série Phantasy Star, que é muito boa também, mas a concorrência tava esmagadora pra uma série só.

Em games de plataforma, ambos possuem fortes candidatos. O Sonic no Mega viveu seus anos dourados com excelentes jogos de plataforma. Ristar, Gunstar Heroes e Kid Chameleon são outros destaques também. Mas o SNES tinha os games do Mega Man X, do qual sempre fui muito fã. Sem contar a série Donkey Kong Country, Super Mario World e o meu predileto de todos do SNES: Super Metroid.

Em Beat ‘em ups (ou Hack n’ Slash como preferir), o Mega Drive estava bem armado. A série Streets of Rage é uma das melhores franquias na minha opinião, além de Golden Axe e Alien Storm serem também excelentes. O Super Nintendo tinha o fodástico Final Fight, mas que mais tarde foi lançado para Sega CD também, então tecnicamente empatado até ai.

Os fãs de game de luta vão falar: “Ah mas a versão do SNES de Mortal Kombat não tinha sangue!”. Realmente, foi uma baita vacilada da Nintendo. Porém, a partir do MK II, o sangue estava presente em ambas as versões SNES e Mega, então é um argumento sem muito propósito hoje.

Enfim, meu voto vai para o Super Nintendo nessa. Eu sei que aqui é um site de Sonic e, por isso, era de se esperar que eu escolheria o Mega Drive. Mas, reconheço que tanto o Mega quanto o Super NES foram muito importantes para a evolução do mercado de games e são igualmente influentes.

E outra, já tenho fama de Nintendista internamente aqui no site mesmo!

Por fim, gosto de ambos os consoles e os jogo sempre que posso até hoje.

Quem ganhou a guerra? Bom, se considerarmos que a Sega teve que trazer o Sega CD e o 32X para manter o Mega Drive vivo mais tempo enquanto o Super Nintendo chegou a durar muitos anos mais, talvez dê para dizer que a Nintendo levou a melhor de certo modo. Mas isso durou pouco tempo, pois a Nintendo logo depois disso ajudou a Sony a entrar na brincadeira com o Playstation.

Placar final

Super NES 4 x 2 Mega Drive

Sobre o autor

Liars

Um fanático por filmes de terror e heavy metal... Ah, e Sonic claro!